
and
sing to me
Tell me
you won't ever leave
Hold me close
and
never let me go...
Esta manhã saí tão rápido de casa que nem reparei que não tinha chaves.
Joguei a mão ao bolso do casaco, depois dentro da mala... e nada.
Sem chave de casa e sem chave do carro.
Decidi continuar a pé.
Enquanto me detinha nos meus pensamentos comecei a ouvir um som estranho...
“Psssst, pssst, pssst”
Olhei para trás e nada.
“Psssst, psssst, psssst”
Olhei novamente... nada.
“Mas quem estará a fazer isto?”– pensei.
“Pssst, pssst, psssst”
Desta vez já meio irritada olhei para trás, não estava ninguém...
Até que oiço uma voz:
Já pensaste olhar noutra direcção?
Nisto olhei para cima.
Eis quando o vejo diante de mim.
Meu Deus!- exclamei.
Tinha diante de mim Fernão Capelo Gaivota.
O que fazes hoje?- perguntou ele.
Não sei... parece que estou sem rumo...- respondi.
“Há sempre uma razão para viver. Podemos elevar-nos acima da nossa ignorância, podemos olhar o nosso reflexo como de criaturas feitas de perfeição, inteligência e talento. Podemos ser livres! Podemos voar!”- enquanto me dizia estas palavras Fernão Capelo Gaivota desenhava circulos no ar.
Eu conheço essas palavras... eu já li isso...- disse eu sorrindo.
Vais ficar por ai? Sem rumo?- perguntou-me ele.
Para onde queres que vá?
Vem comigo!- disse ele sorrindo em direcção ao profundo azul do céu.
Comecei a rir e disse - Mas eu não sei voar!
“Não acredites no que os teus olhos te dizem, porque te mostram apenas ilusões. Serve-te da tua inteligência e observa, descobre o que já sabes e descobrirás uma maneira de voar.”- disse ele fixando os seus olhos nos meus.
Quando dei por mim estava a voar...
Fomos os dois juntos em direcção ao mar...
Voamos em silêncio, apenas sentindo a brisa fresca que nos beijava o rosto.
Quando voltamos, antes que conseguisse dizer alguma coisa, o meu instrutor de voo sorri e diz – “Se a nossa amizade depende de coisas como o tempo e o espaço, então, quando finalmente os houvermos superado, teremos destruído a nossa irmandade! Supera o espaço e restar-nos-á apenas um Aqui. Supera o tempo e restar-nos-á apenas um Agora. E entre o Aqui e o Agora, não achas que podemos tornar a ver-nos algumas vezes?”
Claro que sim senhor instrutor!- disse eu prontamente com um enorme sorriso nos lábios.
“ Tens de compreender que tu és o teu próprio instrutor. Necessitas de encontrar-te a ti mesma, um pouquinho mais, a cada dia que passa.”- afirmou ele.
“Eu sei... obrigada!”
Vemo-nos amanhã à mesma hora.- ao dizer isto saiu disparado em direcção ao céu.
Não sei se o volto a ver... mas valeu a pena!