
Estava eu a ver umas coisas no Xavier (nome do meu computador) quando dei por mim a navegar na net, não que seja uma coisa habitual, mas aconteceu...
Encontrei-te aqui... um rosto que em nada me é estranho.
Começámos a conversar e parecia que nos conhecíamos desde sempre...
Passado um mês disse-te que ia a Lisboa para casa de uma amiga e combinamos encontrar-nos.
Era sábado à noite e o Bairro Alto estava apinhado...
Por entre o mar de pessoas os nossos olhos cruzaram-se...
Conseguimos passar... fomos ao encontro um do outro...
Sorrimos, cheios de emoção.
Antes que conseguíssemos proferir qualquer palavra, uma amiga tua veio chamar-te, puxando-te com uma enorme violência (parecia ser alguma coisa grave).
Vi desaparecer a tua imagem entre as pessoas, como uma memória que se esfuma...
Nem ouvi a tua voz...
Quando cheguei a casa da minha amiga enviei-te um mail a dizer que te esperava no dia seguinte no mesmo sítio às 15h, antes de me ir embora.
Mal dormi, aguardando o dia seguinte, pensando se conseguirias ler o meu mail.
E se não lesses?
O domingo de manhã parecia interminável, mal almocei de ansiosa que estava...
Fui até ao Bairro Alto. As ruas já me pareciam todas iguais, já não tinha a certeza do sítio onde nos tínhamos encontrado na noite anterior. Durante o dia é muito diferente.
Andei às voltas, até que me pareceu encontrar o local exacto.
Esperei... esperei...
Às 16h resolvi ir embora.
"Ele não leu o meu mail" pensei.
Desci a rua olhando para as pedras da calçada... começaram a cair gotas de chuva...
Continuei a olhar para baixo e virei à direita.
Começou a chover torrencialmente.
Ia começando a descer outra rua quando resolvi voltar atrás...
Subi e quando virei a esquina fui de encontro a ti.
Olhei-te nos olhos... sorrimos...
Ficamos em silêncio por segundos intermináveis a contar histórias mudas.
Pegaste-me suavemente no rosto e beijaste-me.
De olhos fechados fiquei a saborear este momento eterno.